http://www.delirioscotidianus.blogspot.com/
Gracias pelo aguardo e prossigam as incursões blogueiras!!
Manuscritos esquecidos, idéias insanas, produções artísticas e filosofias surreais.
Expiação
Corto os pulsos para nada ver
Ignorar certas coisas que me iludem
Esquecer enfim cada parte do meu ser
Descartar, então, idéias vãs que me confundem
Cansei desse ingênuo comodismo
Dessa voz entoante do não dizer
Surtei! Enterrei o meu lirismo
E aos gritos assisto o mesmo padecer
E para o não viver, do cansaço a ascensão
Esmaeço em devaneios lúdicos,
A cada idéia exposta, um pouco de razão
E saturado fico desses seres pudicos
Enquanto escrevo reflito sobre o nada
O vazio que dá forças para seguir
E te encontro, com a leveza de uma fada
Incompleta e constantemente a ruir


Concluso
Fim de noite
Decadente e insensível
Bebo até morrer
Talvez seja impossível
Por completo me conhecer.
Nem todo o álcool é capaz
De afundar minha nau infeliz
Sou como o chacal, podre e sagaz
E minh'alma com isso tudo condiz.
Por isso bebo, e sigo a beber
Para o nada existo, e ninguem me deseja
Tanto faz se fico a morrer,
Enquanto isso uma menina, meu telhado apedreja.
Queixo de mula (quadros 1 e 5), personagem de Alisson Affonso sob a ótica de Everton "Merlin Soares". Todos os direitos reservados.
Manifesto ao anonimato absolutamente covarde
Não devo satisfação a ninguém, tampouco esclarecimentos a respeito do que penso ou cultuo, mas vai um pequeno esclarecimento aos de mente pequena e covardes em sua essência, que não possuem caráter suficiente para mostrar a cara e estabelecer um debate artístico a respeito da crítica em questão, mas vamos lá, a vida é feita dessas coisas.
A fotografia em questão foi tirada no Paço das Artes, em São Paulo, e na minha humilde e pouco expressiva opinião, tendo em vista a magnitude da Arte Contemporânea, tão complexa e repleta de bifurcações em seu percurso, significa o seguinte (amigos, isso que vou escrever realmente é discutir sobre Arte, e não o que andam fazendo nos blogs por aí, com embasamento teórico no livro Arte Comentada, para leigos em Arte e com pouco aprofundamento teórico, além de nada fazerem do que discorrer sobre Arte):
O museu por si só é um lugar lúgubre, que em muitas vezes nos lembra um cemitério, salvo as galerias de Arte, que na sua maioria expõe obras de artistas vivos e ainda atuantes na cena, o que não é o caso do museu, como o MARGS, por exemplo, que sua galeria é composta em sua grande maioria por artistas já falecidos há algum tempo. Admiro os museus com toda certeza, dizer o contrário faria de mim um hipócrita, mas a Arte contemporânea não precisa de museus, como os catedráticos e academicistas propõe, mas sim de espaços abertos para a visitação da grande massa, carente de cultura útil e de conhecimento enriquecedor. Foi por essas ações que o curso de Artes Visuais perdeu o IDEA- Espaço de Arte, pois a pouca visitação do espaço e a não educação do olhar estético desde a infância por parte dos Arte-Educadores (termo esse que alguns colegas possuidores de blogs e supostos criadores do comentário polêmico adoram), que não educam suas crianças com um olhar crítico e sensível para o mundo que os cercam, fizeram com que perdessemos o espaço(lamento muito para os acadêmicos de Artes que não estudam sobre Arte Comtemporânea, o mínimo que seja, mas a resposta vêm em seus TCCs ).
Não adianta manter obras enclausuradas num museu, mas sim expô-las ao público geral, a população carente, as crianças das escolas públicas, e não manter-se restrito a burgueses reacionários e os ditos "discutidores de Arte", que nada mais são do que pseudo-pensadores e parasitas do curso (pois tenho plena certeza que o covarde manifestante anônimo é das Artes Visuais).
Espero que o ser anônimo que visita o meu espaço ( e provavelmente um grande fã de minha pessoa, já que deperdiçou um bom pedaço do seu tempo escrevendo algumas linhas para me criticar) leia o que acabei de postar a possa assim entender um pouco da informação do que a fotografia quer passar (outra coisa que não entendo: a plena ignorância de uma pessoa que não sabe sequer interpretar uma fotografia). Não que isso me afete, longe disso, pouco me importo com as críticas que recebo, apenas não quero que pensem que posto imagens ou escrevo coisas sem saber do que estou falando, apenas isso.
E caso queiram um estabelcer um debate corente sobre Arte, sem demais vilipendiações, que manifeste-se, sou uma mente aberta a novas opiniões e suscetível a mudanças, desde que coerentes e embasadas com fundamento teórico competente.



(Fotografia de Evgen Bavcar)
(fotografia de Evgen Bavcar)
Estes teus olhos cheios de malícia
Fitam-me a cada esquina
E então penso eu, que delícia
Esses olhos de mulher menina
Mas se me observares atentamente
Verás que não sou o que procuras
Pois infeliz é aquele que mente
Para ti, ser de múltiplas formosuras
E se me julgas digno do teu amor
Não me resta outra coisa a fazer
A não ser cair no teu fulgor
E dar-te infindável prazer.
Elephant Gun (tradução)
Beirut
Composição: Beirut
Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade
Enterraria meus sonhos no subsolo
Como eu, nós bebemos até morrer, nós bebemos essa noite
Longe de casa, elephant gun*
Vamos derrubá-los um a um
Nós os deitaremos, eles não foram encontrados, não estão por aqui
Que comecem as estações! - elas rolam como devem
Que comecem as estações! - derrube o grande rei (2x)
E rasgam o silêncio do nosso acampamento à noite
E rasgam a noite
E rasgam o silêncio do nosso acampamento à noite
E rasgam o silêncio, tudo que é deixado é o que eu escondo
*elephant gun: é uma arma de calibre largo. Ela tem esse nome porque originalmente eram feitas para uso de caçadores de elefantes ou outras caças perigosas.


Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Adagio- Next Profundis
Blind Melon - Lemon Tree
The Charlie Daniels Band - The Devil Went Down To Georgia
Portishead - Glory Box
Priestess - Lay Down
sonic youth - sugar kane
Dilúvios:
Perdido no Limbo da vida:
O que é a vida senão um grande poço de tristeza e solidão, em que afundamos lentamente na busca incessante de nossos sórdidos anseios. E como é irônico o sentido da existência, pois nem a morte nos livra dos pesadelos inquietantes como se tudo não passasse de um castigo divino, nessa corrente alucinante que é a vida. Minha garganta queima e meu corpo vacila, recusando erguer-se. Sinto como se estivesse em um sonho maluco, daqueles que se têm após um dia exótico. Que lugar estranho é esse, onde olhos soturnos me observam calmamente ocultos na escuridão? Só me resta caminhar, em busca de uma saída deste lugar que me atormenta. Enquanto avanço vozes macabras ecoam na minha mente, são palavras cheias de ódio, que me fazem tremer. De súbito surge a figura nefasta de um gato, animal agourento e misterioso. Maldito seja. Noto que o felino ousa me dizer algo, e minha surpresa é notória, pois felinos falantes é algo demasiado exótico. Para meu encanto e espanto o gato resolve falar.
Fala do gato: Bem vindo! Procurastes ceifar os sofrimentos da carne para saciares tua sede nas cálidas vertentes do paraíso, pois em verdade digo que te enganastes!
Fala do gato: Tuas agonias apenas iniciaram, contemplarás a verdade aterradora que te espera. Vai-te! Prova do teu próprio veneno!
Forças além de minha compreensão invadem o meu ser, me impelindo a estranha porta a minha frente, logo, saberei toda a verdade.
No Inferno
A escuridão ambiente amputa minha coragem, ceifa a minha fúria e minha ainda ardente raiva pelo gato, maldito seja. Aos poucos minha visão se restabelece, mas o que vejo é algo que não me agrada. Meu lar em ruínas, minh’alma estilhaçada e a constante visão de minha morte. Por que, pergunto eu? Não seria tão fácil apenas morrer, esvair-se em pó e tornar-se mais uma triste lembrança das muitas que por aí existem? Mesmo não querendo acreditar, eu sei por que estou aqui. Este é o preço que se paga pelos erros infantis. E o que sobrou é apenas esta doce loucura, essa intensa agonia. E como hipnotizado por intensa agonia, navego eu nesta nau amaldiçoada, até o fim dos tempos, até o fim dos dias.
Escritos na Areia 2
Em seus belos olhos,
Tão modestos e selvagens,
Posso ler a languidez suave
Que tanto precede quanto conclui
Nossos prazeres enfeitiçados...
Momentos deliciosos quando
Nossos lábios ferozes
Momentaneamente separados,
Buscam se reunir!
Quando essa doce fúria
Domina nossas almas
E nossos estranhos desejos
Estão livres para caminhar!
Um agradável devaneio
Acabou substituindo
Essa vívida alegria,
Essa excitante tontura.
Quem sois vós que me açoitas
Sem minha face admirar,
Como ousas tal afronta
Sob a alcunha soberana
De tratar-me como escória
E ousando me enfrentar.
Mas tomado por fúria indelével
Rompo os grilhões da tortura
Tomo-te o jugo que não te pertence
E bato-lhe a face
Para jamais desobedecer
Tampouco desafiar.
Meus sonhos são embalados por uma estranha canção
Não sei ao certo sua origem,
Mas é algo instigante
Que perfura minh'alma e me faz sofrer.
Noites inteiras ao som desta canção me fazem crer
Que alguém se aproxima,
Alguém que almeja o que possuo
Mas como irá me tomar se não sou possuidor de coisa alguma
Além de minha vida, causa aterradora dos meus sofrimentos.
Quanto tempo mais agüentarei ao som desta melodia hipnótica
Que me transporta a lugares sombrios
Onde criaturas me atormentam e me fazem gritar,
Gritos de intensa agonia
Pois sei que alguém virá me buscar
E carregar-me-á a locais desconhecidos
Para então me usurpar.
Mas a sombria canção ainda não revelou
Que criatura ostenta tal poder
De tomar-me a vida de forma tão sutil
E livrar-me então do sofrimento mundano.
E as noites continuam mórbidas
Como a bruma negra que cobre os céus
Envolvendo de medo todos os corações
Por mais negros que possam ser
E logo concluo que esta não será uma reles noite.
A silenciosa melodia tem início novamente
Mas desta vez de outra forma
Não a mesma de outrora, as com um ar nefasto
Anunciando meu algoz
Que se aproxima lentamente
Para levar-me a seus domínios
E me fazer enlouquecer.
Enfim conhecerei aquele que me sobrepujará.
A canção torna-se intensa e logo domina a minha mente,
Então por um momento percebo
Que é uma canção de morte
A terrível força que muitos conheceram e que agora de mim se aproxima
Lenta e perigosamente a minha procura,
Para então exterminar minha existência.
E nesses últimos momentos que me restam
Percebo o quão fraco são os homens
Que se julgam senhores de si
Mas nem ao menos possuem poder ou coragem para enfrentar a morte
Ela que é a maior ironia da vida
Pois é a única certeza que possuímos da mesma.
Nada mais importa agora
Apenas aguardo essa macabra senhora
Que me livrará das auguras que me afligem
Para então descansar em paz.
A canção de morte cessa,
Creio que minha hora chegou
Porém rogo apenas um instante
Para que todos saibam
Que um dia retornarei.




